HAICAIS DE NATAL (3 haicais) Poemas de Marcello Ricardo Almeida

HAICAIS DE NATAL

(3 haicais) Poemas de Marcello Ricardo Almeida (criou na década de setenta a Poesia Pré-Silábica)

 

 

 

Uma manjedoura

Dezembro iluminado

Há luz no estábulo

 

 

O pinheiro plantado

No Natal dá presentes

O ano inteiro

 

 

O grilo na palha

Falou quando Jesus nasceu

O povo crucifica até Deus

O JAZZ NÃO TOLERA O JAZ
Poema de Marcello Ricardo Almeida

O JAZZ NÃO TOLERA O JAZ

Poema de Marcello Ricardo Almeida

 
A CIDADE… A CARTILHA … O POVO … A ESTRADA … EM JATIÚCA …
Poema de Marcello Ricardo Almeida
prólogo – preso neste quadro no museu dos novos onde a greve nunca termina e as cores derramadas pelo sol sobre os cajus as pitombas as jaqueiras as jabuticabas na fase terra do poeta da poesia pré-silábica as cores solares sobre a cidade numa cartilha por onde se leem a avenida da paz e da beleza de cruz das almas deságua o rio catolé 
1 – a cidade criada no miocárdio da feira do passarinho numa aglomeração de frutas e pernas de moça onde aumentam morosamente acanhados e suntuosos o barulho do trem nos trilhos e as casas de boa-sorte e as ruas coloridas e as praças de bonecos de aço e os becos do comércio e a rua do sol onde nasceu o poeta da poesia pré-silábica e os cinemas e as igrejas às esquinas falatórios habituais de estórias de política e de poetas a gloríola das biografias das flores do vergel do lago e das casas da levada e dos gritos no rei pelé e dos acontecimentos no trapiche da barra corriqueiros pescadores e suas jangadas nas areias da avenida da paz e as ondas violentas do sobral e dos mandantes dos mandados e das escolas os anos se encarregam em transformarem as lagoas e os mares de massayó de maceió de ceió de mas-saió de mar
2 – uma cartilha por onde muitos leem é avenida da paz e o mundo continua como se fosse há dez 20 trinta 50 anos - outro século - exceto maceió seu dinheiro é seu povo hospitaleiro de coração um riso e um bom dia no olhar dos coqueirais outros se casando crianças nascendo pessoas morrendo a roda viva deixa maceió cheia de casas  tontas e muitas vão-se condicionando à beleza e sofrendo de contentamento e liberdade  mundaú e manguaba marmundaúguabalagoas não devem satisfações a seu ninguém comer peixe todo dia e crustáceos que vestem a mesa  que incitam imigrações e migrações ao paraíso
3 – o povo tem a beleza que merece haverá mesmo no mundo outra pajuçara quanto vale uma praia o sol e as barracas a água de coco-da-baía verde em casas de palhas  uma orla de mulheres lindas e praias de areias largas de barcos os votos do povo votos que farão representantes desse mesma povo não haverá no mundo outra pajuçara
4 – toda estrada dá na praia de cruz das almasdias sucedendo dias levando à praia de cruz das almas as imaginárias e nunca vistas lugares de figuras marinhas de histórias de livros onde a baleia cachalote encontra outras baleias e os pescadores em jangadas atravessam galáxias de dias sucedendo dias de ondas sucedendo ondas levando para os olhos das máquinas de fotografia o dia-a-dia que quiserem enquanto aprisionam a beleza deixa cada vez cruz das almas levar em sua paz porque toda estrada dá na praia de cruz das almas
5 – em jatiúca e ponta verdedeitam-se os coqueiros sobre as praias num vaivém e vão continuar arrebentando o quadro em sentido único de vicissitudes a antiga máquinas de guerra usadas pra desmontarem muralhas onde todas as angústias morrem e o pato é pago na feira do passarinho e o cordão vai continuar em volta da academia de letras e do teatro deodoro num movimento oscilatório
6 – o rio catolé de histórias costumam contar novos e velhos traz água catolé e dirá se suas pedras falassem catolé naturalmente narrariam pescarias faustosas de tabuleiros  de casas o farol lhe espera as ladeiras e o palácio dos martírios

A CIDADE… A CARTILHA … O POVO … A ESTRADA … EM JATIÚCA …

Poema de Marcello Ricardo Almeida

prólogo – preso neste quadro no museu dos novos onde a greve nunca termina e as cores derramadas pelo sol sobre os cajus as pitombas as jaqueiras as jabuticabas na fase terra do poeta da poesia pré-silábica as cores solares sobre a cidade numa cartilha por onde se leem a avenida da paz e da beleza de cruz das almas deságua o rio catolé 

1 – a cidade criada no miocárdio da feira do passarinho numa aglomeração de frutas e pernas de moça onde aumentam morosamente acanhados e suntuosos o barulho do trem nos trilhos e as casas de boa-sorte e as ruas coloridas e as praças de bonecos de aço e os becos do comércio e a rua do sol onde nasceu o poeta da poesia pré-silábica e os cinemas e as igrejas às esquinas falatórios habituais de estórias de política e de poetas a gloríola das biografias das flores do vergel do lago e das casas da levada e dos gritos no rei pelé e dos acontecimentos no trapiche da barra corriqueiros pescadores e suas jangadas nas areias da avenida da paz e as ondas violentas do sobral e dos mandantes dos mandados e das escolas os anos se encarregam em transformarem as lagoas e os mares de massayó de maceió de ceió de mas-saió de mar

2 – uma cartilha por onde muitos leem é avenida da paz e o mundo continua como se fosse há dez 20 trinta 50 anos - outro século - exceto maceió seu dinheiro é seu povo hospitaleiro de coração um riso e um bom dia no olhar dos coqueirais outros se casando crianças nascendo pessoas morrendo a roda viva deixa maceió cheia de casas  tontas e muitas vão-se condicionando à beleza e sofrendo de contentamento e liberdade  mundaú e manguaba marmundaúguabalagoas não devem satisfações a seu ninguém comer peixe todo dia e crustáceos que vestem a mesa  que incitam imigrações e migrações ao paraíso

3 – o povo tem a beleza que merece haverá mesmo no mundo outra pajuçara quanto vale uma praia o sol e as barracas a água de coco-da-baía verde em casas de palhas  uma orla de mulheres lindas e praias de areias largas de barcos os votos do povo votos que farão representantes desse mesma povo não haverá no mundo outra pajuçara

4 – toda estrada dá na praia de cruz das almasdias sucedendo dias levando à praia de cruz das almas as imaginárias e nunca vistas lugares de figuras marinhas de histórias de livros onde a baleia cachalote encontra outras baleias e os pescadores em jangadas atravessam galáxias de dias sucedendo dias de ondas sucedendo ondas levando para os olhos das máquinas de fotografia o dia-a-dia que quiserem enquanto aprisionam a beleza deixa cada vez cruz das almas levar em sua paz porque toda estrada dá na praia de cruz das almas

5 – em jatiúca e ponta verdedeitam-se os coqueiros sobre as praias num vaivém e vão continuar arrebentando o quadro em sentido único de vicissitudes a antiga máquinas de guerra usadas pra desmontarem muralhas onde todas as angústias morrem e o pato é pago na feira do passarinho e o cordão vai continuar em volta da academia de letras e do teatro deodoro num movimento oscilatório

6 – o rio catolé de histórias costumam contar novos e velhos traz água catolé e dirá se suas pedras falassem catolé naturalmente narrariam pescarias faustosas de tabuleiros  de casas o farol lhe espera as ladeiras e o palácio dos martírios

O TEATRO-FEIJÃO-COM-ARROZ

PEÇAS NO MÉTODO TEATRO-FEIJÃO-COM-ARROZ – Das peças do Teatro-Feijão-Com-Arroz, Maria Bala fora montada em Córdoba, Argentina, em 1990, e Ladrão-de-Galinhas, em Santiago, Chile, com atores daqueles países. E em Nova York, a peça A Fila do INPS, em 2004. Segundo o professor de arte dramática paulistano, Fauzi Arap, tanto Vendramini (USP) quanto eu reconhecemos no dramaturgo Marcello Ricardo Almeida um autor talentoso; sentimos prazer lendo os seus textos e, para nós, ele foi uma revelação em 1986 durante um Curso de Formação em João Pessoa, Paraíba. A peça Debaixo da Ponte, em cartaz no Rio Grande do Sul e Alagoas, respectivamente, recebeu vários prêmios em 2003; inclusive sendo tema de estudo na UFAL, no curso de preparação para atores.

 

PEÇA DE TEATRO O LADRÃO-DE-GALINHAS – As personagens da peça Ladrão-de-Galinhas são ricas em literatura e humor refinados. A peça é um exercício de cidadania. Abordando a moralidade social, também a instituição familiar, a Constituição Federal de 1988 e os seus altos e baixos, os valores éticos. Como esta preciosidade em dado momento o magistrado confessa: “Nós temos mais do que as leis, conhecemos os furos das leis”. Em outra situação, o “ladrão de galinhas” desabafa: “Meu sonho é só um dia eu poder… eu ter o poder de votar em alguém” (ele tem menos de 16). O delegado da história assegura em uma de suas falas: “Juro que vou acabar com a impunidade institucionalizada”. Sendo argumentos do dono das galinhas, sempre se utilizando de provérbios: “Ponha o patife imundo atrás das grades. Já! Vou acabar com esse negócio de a ocasião faz o ladrão”.

 

QUE TRATAMENTO O ESTADO RESERVA AO DESVENTURADO E AO DESINFELIZ LADRÃO-DE-GALINHAS, OU P DE POBRE E C DE CADEIA? O teatro deste dramaturgo que criou o método Teatro-Feijão-Com-Arroz leva ao palco filosofia, política, economia, sociologia, legislação, ética, mitologia etc. Sua literatura é um bojo das questões contemporâneas: a pirâmide social, o abismo entre o poder e o dominado. Com temáticas transversais que vão além de mais de 300 peças no método Teatro-Feijão-Com-Arroz criado em 1975. Temáticas propícias ao debate pedagógico. Um teatro de fortes sentimentos que aborda, dialeticamente, as opressões cotidianas.

 

DRAMATURGO MARCELLO RICARDO ALMEIDA – Recebeu ao longo de sua carreira prêmios literários. Algumas das obras teatrais do dramaturgo Marcello Ricardo Almeida estão publicadas em livros e periódicos e no banco de dados da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, RJ) o autor é afiliado desde 1985. Suas peças apresentadas por estudantes secundaristas (atores não-profissionais) em escolas básicas e Universidades. Marcello Ricardo Almeida criou o Projeto Teatro na Escola o Ano Todo, ocasião na qual convidara vários debatedores (escritores, professores universitários etc.) à escola para enriquecer o currículo programático de várias unidades escolares.

Conceito da poesia pré-silábica do poeta Marcello Ricardo Almeida

Conceito da poesia pré-silábica do poeta Marcello Ricardo Almeida – O poeta Marcello Ricardo Almeida criou a poesia pré-silábica, que tem como conceito o desenho das palavras e a palavra deixa de ser palavra para assumir a forma de poesia, durante a década de 1970, em Santana do Ipanema, Alagoas. As letras são apenas letras e por si só não querem dizer nada até serem transformadas em poemas. As letras e as palavras são sinais para expressarem poesia como uma aventura ao mundo pré-silábico nesta nave mágica da poesia de Marcello Ricardo Almeida. As letras, que se relacionam com o som da fala, transformam-se em poesia. O mundo se alfabetiza com poemas com suas falas e variáveis representações poéticas; a territorialidade semântica da poesia é o que dá forma e função ao mundo. 

 

¼ de século

 

 ¼ de século

 

 

o poema é a metafísica

é metafísica extraditada 

vou transpor um século

quero ver tudo de novo

se começar tudo eu vou

com o povo deste século

de longe espiarei o hoje

de longe os de amanhã

 

 

 

 

 

(poeta marcello ricardo almeida)

(publicação no jornal de alagoas)

e chega os 50: uma ode aos 50

uma ode aos 50

 

 

 

 

Sublime e elevada cidade do Sertão
Santana do Ipanema é ode à alegria
Música de Beethoven, texto de Schiller
Canta, canta Santana a sua ode aos 50

É comum em Santana os cantares
Na Grécia ode, em Roma carmem
Estiveram Alceu, Safo e Anacreonte,
Catulo, Horácio – tantos outros falares.

Meio século sustenta as pirâmides
Há um quarto de século as sustentara
A rua do poeta ainda é a Rua do Sol
Onde a luz que é luz jamais se apaga.

Santana do Ipanema lhe contempla
Esta é uma ode aos 50 anos cantados
Acompanhamento de liras dos 25 anos
Depois que meio século o sustentara.

Meio século sustenta as pirâmides
Ode aos 50: entusiasmo nessa hora
Se a caneta olha, o papel se cala
Nos genes que desenham a história.

Tijolos da pirâmide não se derreteram
O vento soprou a poeira e ainda sopra
Caminha-se na velha rua de sombras;
Sombras e latidos nunca lhe apavoram.

(poemínimo do poeta alagoano marcello ricardo almeida)


Telas de Marcello Ricardo Almeida

Três destas telas do artista plástico alagoano Marcello Ricardo Almeida, expostos no Museu dos Novos, “Mãe puerperal”, de 1975, “A mãe d’água”, de 1974, e “Catadora de feijão”, de 1976, todas medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela, pertencem a Fase Terra do pintor. As outras telas são de outras fases do artista.


A FASE TERRA. De todas as fases do artista plástico alagoano, nascido em Santana do Ipanema, Marcello Ricardo Almeida, a Fase Terra caracteriza-se pelas expressões pictóricas míticas. Suas cores registram as imagens solares sertanejas cujas mulheres personificam a história de um tempo arcaico. Numa linguagem transcendente e áspera, o vazio e o caos são preenchidos pelos pincéis ágeis de Marcello Ricardo Almeida que faz poesia com as cores nestas telas. As outras fases do pintor: ar, luz, água, tempestade, vazio e caos ocupam datas posteriores a estas telas. O quadro “Greve huelga strike grève Streik”, de 1986, representa o fim do antigo regime e está em um período de não-fase do artista.

Exposto no Museu dos Novos “Mãe puerperal”, de 1975, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “Mãe puerperal”, de 1975, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “O Mar”, de 1978, medindo 2,10 x 2,70 cm, pintado em Massagueira, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “O Mar”, de 1978, medindo 2,10 x 2,70 cm, pintado em Massagueira, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “A mãe d’água”, de 1974, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “A mãe d’água”, de 1974, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “O Garrafão de Steinhäger”, de 1977, medindo 2,10 x 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida

Exposto no Museu dos Novos “O Garrafão de Steinhäger”, de 1977, medindo 2,10 x 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida

Exposto no Museu dos Novos “Greve huelga strike grève Streik”, de 1986, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “Greve huelga strike grève Streik”, de 1986, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “Catadora de feijão”, de 1976, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.

Exposto no Museu dos Novos “Catadora de feijão”, de 1976, medindo 2,10 X 2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.


EU AINDA TENHO GUARDADO O SEU BEIJO EM MINHA BOCA
[o soneto do credo, da cor, da Graça e de ninguém]
Poema de Marcello Ricardo Almeida
 
 
Somente um louco varrido
amaria tanto assim? A Maria 
acordando e dormindo, sob 
efeitos desses sedativos e 
 
eletrochoques contínuos.
Esse um amor impossível
cujo furor não respeita
credo, cor, Graça, ninguém
 
Só um louco varrido,
de amor e tanto amar,
foi novamente esquecido. 
 
Dizendo este soneto por fim:
E eu ainda tenho guardado
o seu beijo em minha boca. 

EU AINDA TENHO GUARDADO O SEU BEIJO EM MINHA BOCA

[o soneto do credo, da cor, da Graça e de ninguém]

Poema de Marcello Ricardo Almeida

 

 

Somente um louco varrido

amaria tanto assim? A Maria

acordando e dormindo, sob

efeitos desses sedativos e

 

eletrochoques contínuos.

Esse um amor impossível

cujo furor não respeita

credo, cor, Graça, ninguém

 

Só um louco varrido,

de amor e tanto amar,

foi novamente esquecido.

 

Dizendo este soneto por fim:

E eu ainda tenho guardado

o seu beijo em minha boca.